Menu
Comunidade
| AS BASES BÍBLICAS DA COOPERAÇÃO |
|
|
|
| Seg, 02 de Março de 2009 10:28 |
|
O tema geral: Somos cooperadores de Deus. Cooperadores como ministros do Evangelho. Não é de cooperação entre igrejas que vamos tratar, mas sim, especificamente, de cooperação entre pastores, que é o que somos. Nas Sagradas Escrituras encontramos os fundamentos dessa cooperação. Vamos pois ao Novo Testamento inspirar-nos, beber o ensino e os exemplos da cooperação entre Obreiros. Há, no original, duas palavras que se traduzem por cooperação: KOINOUNIA (de Koinós, comum). Esta palavra expressa aquilo que é comum a duas ou mais pessoas. Koinounia é, portanto, comunhão, intimidade. Significa compartilhar, participar numa tarefa comum. SUNERGUÉOU (de Érgon, trabalho) Significa “trabalhar lado a lado” (como camaradas de trabalho). Verificamos assim que, enquanto Koinounia põe em evidência a solidariedade, o companheirismo, a união espiritual entre pessoas que trabalham, Sunerguéou realça e acentua o trabalho feito em colaboração. Por isso dividimos este trabalho em duas partes: 1ª Relação e 2ª Actuação.
1. Relação
Relação ou relacionamento. Por aqui se começa. Pela essência da cooperação. De facto, esta assenta numa relação espiritual entre pessoas. Se essa relação for harmoniosa, sê-lo-á também a cooperação. Se o relacionamento entre as pessoas for deficiente, a cooperação deficiente será. Relação espiritual entre companheiros de trabalho. Koinounós traduz-se sempre por companheiro de trabalho. Lucas 5:10, I Coríntios 10:18, Filemon 17 Relação entre pessoas unidas por um elemento comum: Cristo e a Sua Obra. (Factor de unidade). I Coríntios 1:9... chamados para a comunhão de Seu Filho... I Coríntios 10:16... cálice de bênção... não é a comunhão... O pão que partimos, não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? Filipenses 2:1... comunhão no Espírito... I João 1:3/7... a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho, Jesus Cristo. ...comunhão com ele... comunhão uns com os outros... Da nossa comunhão com Cristo, depende a nossa comunhão como irmãos e colegas. Filipenses 3:10... comunicação das suas aflições... I Pedro 4:13... participantes das aflições de Cristo. Somos companheiros de luta (prisões, perseguição...). Aqui vem a propósito a palavra Sunstratiôtes, camarada de armas. (De stratiá, exército, hoste). Palavra usada em Filipenses 2:25... companheiro nos combates... e em Filemon 2... Arquipo, nosso camarada... Mas Koinounia é uma posição de solidariedade activa que encontra expressão no sustento material dos Obreiros Filipenses 1:5, Filipenses 4:15, Gálatas 6:6, Romanos 15:27, no auxílio material aos irmãos necessitados (em aflição, em crise) – Romanos 12:13, Romanos 15:26 (Colecta = Koinounia) Hebreus 13:16, II Coríntios 8:4, II Coríntios 9:13, mas se manifesta também por atitudes de compreensão, entendimento, receptividade, boa-vontade: Em Actos 9:26/27, Barnabé dá a mão a Paulo, facilitando a sua integração na Igreja e no seio dos obreiros. Dar a mão aos novos (Pastores, missionários, seminaristas...) Em Gálatas 2:9, Tiago, Pedro e João “deram as dextras” a Paulo e a Barnabé, em comunhão, combinando irem uns trabalhar com os judeus e outros com os gentios. (Repartição de tarefas, divisão de campos e atribuições) Combinar o trabalho. E, mais tarde, o mesmo Barnabé se lembra de Paulo e vai buscá-lo para colaborar com ele em Antioquia Actos 11:25. Interesse uns pelos outros, procurando-se uns aos outros para a cooperação. A cooperação, como foi visto, depende essencialmente das relações humanas entre colegas, tendo Cristo e a Sua Obra como vínculo de união. Trata-se dum relacionamento activo, como já constatámos, e iremos ainda desenvolver no segundo ponto.
2. Actuação
Somos cooperadores: Não somente Koinounós – companheiros unidos por uma íntima comunhão fraternal. Nem somente Sunstratiôtes camaradas de luta, lado a lado no combate, soldados do mesmo exército, obedecendo ao mesmo Comandante. Mas também Sunergós – colegas de ofício, trabalhando juntos.
2.1 O apóstolo Paulo fala dos seus cooperadores: Priscila e Áquila Romanos 16:3, Urbano Romanos 16:9, Timóteo Romanos 16:21 e I Tessalonicenses 3:2, Tito II Coríntios 8:23, Epafrodito e outros Filipenses 2:25 e Filipenses 4:3, Filemon e outros Filemon 1/24. E em termos de amizade, consideração, respeito: Filipenses 2:9/30, Colossenses 4:7/17, I Coríntios 16:9/12. Cartas às igrejas. Como falamos nós às nossas igrejas, dos nossos cooperadores? Em que termos?
2.2 A mesma palavra é usada no texto temático do nosso retiro: Somos cooperadores de Deus. I Coríntios 3:4/9 “A Bíblia na linguagem de hoje” e “Good News for modern man” traduzem: Nós somos companheiros que trabalhamos juntos para Deus. Nós – Paulo e Apolo, naquele caso. Nós – Pastores hoje: cooperadores no serviço de Deus... vós (igreja) sois “lavoura de Deus”, isto é, “terreno onde Deus faz o seu trabalho”. “A Bíblia na linguagem de hoje”.
2.3 Só quem auxilia na obra – Sunerguéou, e trabalha (kapiáou, trabalha esforçadamente) merece acatamento e tem direito a ser ouvido I Coríntios 16:16 Quem não trabalha, quem não coopera, não tem autoridade para se pronunciar, nem para emitir sentenças !
2.4 Outros aspectos da actuação cooperante:
2.4.1 Companhia: 2.4.1.1 Jesus enviou os seus discípulos dois a dois: Lucas 10:1, Eclesiastes 4:9/12 2.4.1.2 Os missionários (dois ou três) Actos 13:1/5. Não ao isolacionismo!
2.4.2 Oração: 2.4.2.1 Jesus pediu a colaboração de três dos seus discípulos quando foi orar no Getsémani. Mateus 26:37/39. 2.4.2.2 Pedro e João iam juntos ao Templo a orar Actos 3:1. 2.4.2.3 Paulo orou de joelhos, com os pastores de Éfeso Actos 20:36. Oremos juntos!
2.4.3 Nivelamento: 2.4.3.1 Já entre os discípulos se manifestou a tentação de alcançar posições privilegiadas Mateus 18:1, Marcos 10:35/45 mas Jesus, em resposta, tomou um menino por exemplo e deu, ele próprio, o exemplo, ao lavar-lhes os pés João 13:15. 2.4.3.2 Pedro coloca-se no mesmo pé de igualdade, com os restantes presbíteros - ... eu, que sou, também, presbítero como eles, ... I Pedro 5:1. 2.4.3.3 Paulo reivindica a igualdade de direitos em relação aos demais apóstolos, quando a sua posição foi posta em causa por alguns. II Coríntios 11:5 Não a qualquer modalidade de hierarquia, supremacia ou tratamento discriminatório!
2.4.4 Liberdade e Lealdade 2.4.4.1 Paulo enfrentou Pedro cara a cara, e censurou o seu procedimento Gálatas 2:11 2.4.4.2 Barnabé e Paulo separaram-se na segunda viagem missionária, por divergências quanto a João Marcos Actos 15:35/39 Liberdade para discordar, mas uso de franqueza e frontal lealdade, nos casos de divergência e até de separação!
3. Conclusão
3.1 Temos um Senhor comum e um Trabalho comum. Estamos assim identificados uns com os outros, como cooperadores, num relacionamento especial, íntimo, de companheirismo fraternal, como camaradas de luta e de trabalho. 3.2 Da qualidade desse relacionamento depende toda a cooperação entre obreiros, na prática. 3.3 Cooperar é combinar o trabalho de forma a não haver colisões, no respeito do campo de cada qual. Cooperar é interessarmo-nos uns pelos outros, procurando-nos, buscando a cooperação e especialmente para com os novos colegas, de modo a que se sintam integrados no âmbito dos seus conservos. 3.4 Cooperar é trabalhar de facto, lado a lado com os colegas, e não só emitir juízos sobre o trabalho dos outros. Cooperar é fazer companhia, andando juntos, trabalhando juntos e orando juntos. 3.5 Cooperar é respeitar os nossos colegas, perante as igrejas que servimos. É ser capaz de admitir divergências e discutir os problemas frente a frente. Mas sem pretensões de supremacia, sempre num plano de perfeita igualdade. |
Publicidade


